Mortalidade materno-infantil no Piauí preocupa entidades

Cerca de 830 mulheres morrem diariamente por complicações na gravidez ou no parto, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o objetivo de lançar este debate em nível estadual e abrangendo os mais diversos setores ligados ao tema, entidades de classe do Piauí estão planejando a I Conferência Estadual de Enfrentamento e Erradicação da mortalidade materno-infantil.

Organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Piauí, em parceria com o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Piauí (Crefito 14), o Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren) e o Conselho Regional de Psicologia da 21ª Região (CRP 21), o evento deve reunir representantes de diferentes órgãos e instituições relacionados à problemática.

“A ideia é mobilizar todas as entidades envolvidas e responsáveis a assumirem um compromisso pela redução dos índices de morte das gestantes, parturientes e dos bebês. É necessário que a saúde, o poder Judiciário, poder Executivo e conselhos de classe andem juntos nesse sentido, a fim de tornar todo o atendimento à mulher grávida mais humanizado e digno”, explica o presidente do Crefito 14, Marcelino Martins.

Segundo a presidente da Comissão de Apoio à Vítima de Violência da OAB-PI, Alba Vilanova, a proposta do evento busca traçar uma discussão multidisciplinar. “Quando a gente fala em mortalidade materna, não diz respeito só ao médico e ao enfermeiro, tem a questão jurídica e de diversos outros setores. Então o nosso objetivo é chamar atenção para os óbitos que estão acontecendo e mobilizar os órgãos competentes às suas responsabilidades”, pontua.

Parte dos números de mortalidade materno-infantil está relacionada, ainda, à violência obstétrica, em que as mulheres são vítimas, durante o atendimento pré-natal, no parto ou pós-parto, de agressões psicológicas, verbais e de imposições dos profissionais da saúde, tendo os seus direitos violados. Para tornar essa prática de conhecimento público e combatê-la, a OAB-PI, com a colaboração do Crefito 14, elaborou o Manual de Apoio à Vítima de Violência Obstétrica com informações e orientações acerca dos direitos assistidos à gestante e parturiente, bem como boas práticas para o parto.

“A fisioterapia e a terapia ocupacional têm um papel de grande relevância no atendimento à mulher gestante e parturiente desde o pré-natal, o parto e o puerpério. Então, com a capacitação permanente de todos os profissionais da saúde envolvidos na obstetrícia, é possível oferecer à mulher um parto mais humanizado, com respeito aos seus direitos”, finaliza Marcelino Martins.

Participam da organização da I Conferência Estadual de Enfrentamento e Erradicação da mortalidade materno-infantil, o presidente do Crefito 14, Marcelino Martins; a presidente da Comissão de Apoio à Vítima de Violência, Alba Vilanova; Anayde Aguiar, vice-presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-PI; Leone Damasceno, representante do Coren-PI e Elizandra Ferreira, presidente da Comissão de Direitos Humanos do CRP 21.

Fonte: Ascom

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