quarta-feira , setembro 23 2020

JBS enfrenta surto do novo coronavírus em unidades nos EUA e no Brasil

O Ministério Público pediu o fechamento por 15 dias de plantas da BRF e da Minuano, e outros frigoríficos do RS registram casos de covid-19 entre empregados

A fabricante de alimentos JBS tem enfrentado um surto do novo coronavírus em algumas de suas unidades, nos Estados Unidos e no Brasil. Até agora, sete trabalhadores de uma fábrica no estado americano de Colorado perderam a vida e há 280 casos confirmados entre os funcionários. No Rio Grande do Sul, uma unidade da JBS foi obrigada a fechar por duas semanas por decisão da Justiça do Trabalho.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul pediu na segunda-feira 4 a paralisação imediata e integral das atividades nas plantas da Minuano e da BRF em Lajeado. As unidades deverão ficar fecharas pelo período mínimo de 15 dias, com multa diária de 1 milhão de reais em caso de descumprimento As ações também pedem que, durante o período de suspensão das atividades, seja feita a higienização e descontaminação das unidades industriais.

Enquanto isso, frigoríficos como BRF, Minuano, Aurora e Agrodanieli firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para garantir a saúde e a segurança dos colaboradores em suas fábricas.

Atingindo os frigoríficos, a pandemia da infecção respiratória covid-19 tem levado ao aumento do preço de carne nos Estados Unidos, bem em um ano que prometia ser de crescimento da indústria.

A unidade da JBS em na cidade de Greeley, no Colorado, é um dos maiores focos da epidemia no estado americano. A JBS chegou a fechar a unidade por nove dias em abril para fazer uma limpeza profunda na fábrica e instalar proteções para os trabalhadores. No dia 24 de abril, a unidade recebeu autorização para voltar a funcionar. Depois de reabrir, no entanto, a planta registrou um novo surto e os casos dobraram em poucos dias. Do dia 26 de abril ao dia 29, os casos foram de 120 a 245.

Cerca de 6.000 funcionários trabalham na planta em Greeley. Ainda que a planta seja o caso mais grave da contaminação por coronavírus, não é a única. Em Grand Island, no estado de Nebraska, havia 200 trabalhadores da JBS infectados com o vírus.

A JBS diz que seus protocolos de operação atendem às orientações da Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia, para o setor frigorífico. “As ações implementadas pela JBS estão totalmente amparadas em laudos e recomendações técnicas dos órgãos de saúde e de especialistas da área médica, incluindo uma consultoria do Hospital Albert Einstein”, diz nota da empresa publicada após o fechamento da fábrica de Passo Fundo. Entre as medidas adotadas estão a desinfecção diária e periódica de todas as instalações, medição de temperatura de todos os colaboradores antes de acessarem a unidade, afastamento das pessoas do grupo de risco e obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção para todos os colaboradores, incluindo os da área administrativa.

Impacto na cadeia

Os Estados Unidos são o país com o maior número de casos confirmados do novo coronavírus: 1,28 milhão de infectados e 76.000 mortes. Além da JBS, outros frigoríficos americanos têm registrado surtos entre os funcionários. Uma unidade da Smithfield Foods, em Dakota do Sul, por exemplo, fechou depois que 300 dos 3.700 trabalhadores testaram positivo para o coronavírus. A Tyson Foods, uma das maiores produtoras de carne dos Estados Unidos, avisou em abril que a cadeia de suprimento de alimentos no país está quebrando.

“Como as unidades de porco, frango e carne estão sendo forçadas a fechar, mesmo por períodos curtos de tempo, milhões de quilos de carnes vão desaparecer da linha de abastecimento”, afirmou John Tyson, presidente do conselho de administração da empresa, em um comunicado no jornal New York Times. “Como resultado, vai haver um suprimento limitado dos nossos produtos em supermercados até que possamos abrir nossas unidades atualmente fechadas”, afirmou em 26 de abril.

Pedidos de proteção e segurança

No fim de abril, o sindicato dos trabalhadores comerciais e da indústria de alimentos americano, o United Food and Commercial Workers (UFCW), enviou uma carta ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) pedindo ações imediatas para a proteção dos trabalhadores de frigoríficos e de outros centros de manipulação de alimentos. A organização, que representa mais de 250.000 funcionários da indústria, também escreveu ao vice-presidente da República, Mike Pence.

Entre os pedidos estava uma medida de proteção básica, a identificação e o isolamento de funcionários que testaram positivo para o vírus ou que estejam apresentando sintomas, além do acesso a testes e a equipamentos de proteção individual. Os trabalhadores também solicitaram que as fábricas permitam o distanciamento social quando possível, reforçando a necessidade de espaçamento de 2 metros entre as estações de trabalho, bem como o uso de vidros separando funcionários.

Segundo o levantamento do sindicato, 20 funcionários de frigoríficos e da indústria de alimentos morreram em decorrência da covid-19 nos Estados Unidos até o final de abril, com mais de 6.500 casos confirmados entre os trabalhadores.

“Os trabalhadores americanos de processamento de alimentos e frigoríficos estão em extremo perigo, e o suprimento de alimentos de nossa nação enfrenta uma ameaça direta do surto de coronavírus. Se os trabalhadores dessas fábricas são tão essenciais quanto dizem nossos líderes eleitos, é hora de nossos líderes eleitos fornecerem as proteções essenciais de que precisam. Não se engane, sem os padrões nacionais de segurança para proteger esses trabalhadores contra o coronavírus, mais vidas serão perdidas, mais trabalhadores serão expostos e nosso suprimento de alimentos enfrentará riscos “, disse Marc Perrone, presidente da UFCW International, em carta.

No Brasil

Em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a JBS também relatou casos em uma de suas unidades. A fábrica na cidade gaúcha foi fechada no dia 25 de abril por um período de 14 dias por pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) do Rio Grande do Sul e está autorizada a reabrir no começo da próxima semana. O prazo de duas semanas equivale ao período de incubação do novo coronavírus e foi estabelecido como forma de evitar possível contágio comunitário entre os trabalhadores, segundo a Justiça.

“A JBS foi interditada por expor seus trabalhadores ao risco de contágio da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus”, diz documento do Ministério Público do Trabalho.

Durante uma fiscalização do MPT, foram constatados 19 casos de trabalhadores confirmados com contaminação de covid-19 e duas mortes de parentes dos empregados. Atualmente, a empresa tem 62 empregados confirmados e quatro mortes de contatos próximos a trabalhadores confirmados, diz o órgão. De acordo com o MPT, há 17 mortes em Passo Fundo pelo vírus. No Rio Grande do Sul, há 2.050 casos confirmados, com 87 mortes.

 

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