O Judiciário brasileiro recebeu 40,9 milhões de casos novos em 2025, o maior volume desde 2009, segundo o relatório Justiça em Números 2026, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na Justiça Federal, a alta foi de 19,8% em um ano. Por trás desse recorde há um novo motor, a inteligência artificial generativa (IA), que derrubou o custo de produzir uma petição e abriu caminho para a litigância abusiva e a fraude em massa.
O alerta foi feito por Alexandre Stumpf, CTO da doc9, nesta terça-feira (27), durante a Fenalaw 2026, em São Paulo. Na palestra “A IA virou uma máquina de criar processos”, o executivo mostrou que o volume de litígios entrantes dobrou na base de clientes da lawtech. “Quando a produção perde o teto, a capacidade passa a ser de larga escala. Hoje é possível gerar centenas de peças em minutos, com variação de texto e aparência de legitimidade. A IA criou o problema em escala, e só ela consegue resolver na mesma proporção. O caminho é experimentar com intensidade e governar com rigor”, afirma.
Segundo Stumpf, essa indústria segue um roteiro conhecido. Começa na captação de listas de potenciais autores e em procurações com indícios de irregularidade, passa por iniciais geradas por IA e termina em demandas fragmentadas por diferentes comarcas. A boa notícia, diz ele, é que esse movimento deixa marcas. “Tudo o que fazemos no digital deixa rastro. A IA produz peças diferentes com objetivos iguais, e isso aparece nos dados em forma de volume desproporcional por região, documentos reutilizados em vários processos, picos de distribuição e vínculos ocultos entre as partes”, diz o executivo.
IA jurídica da empresa
Um dos casos apresentados envolveu mais de 8 mil ações contra uma operadora de saúde. Uma tecnologia de similaridade, parecida com a usada para detectar plágio em trabalhos acadêmicos, comparou os laudos médicos anexados e encontrou documentos de pacientes com idades, cidades e doenças diferentes com 82% a 89% do texto idêntico, mesmo signatário e mesmo advogado. Em escritórios clientes da iuria.doc9, IA jurídica da empresa, esse tipo de análise reduziu em 81% o tempo de processamento e identificação de fraude e risco, com a decisão final sempre nas mãos de especialistas.
O Judiciário também já reage. A Recomendação 159/2024 do CNJ trouxe diretrizes para identificar e prevenir a litigância abusiva, e tribunais como TJPB, TRF-2 e TJPE usam IA para detectar abusos.
Sobre a doc9
A doc9 é uma lawtech que atua como parceira de grandes escritórios de advocacia e departamentos jurídicos e de compliance corporativos, oferecendo um ecossistema integrado de soluções que combina logística jurídica em escala nacional e softwares SaaS de alta tecnologia, voltados à eficiência operacional, segurança da informação e inteligência jurídica. Entre suas soluções estão a terceirização e gestão de audiências e diligências, cálculos judiciais auditados, o Whom.doc9, primeiro gerenciador de certificados digitais do Brasil, e o iuria.doc9, IA jurídica proprietária.

