A transformação digital através da tecnologia deixou de ser apenas uma tendência para ocupar espaço cada vez maior na rotina dos escritórios de advocacia. Ferramentas de automação, inteligência artificial, gestão de processos e análise de dados começam a modificar desde o acompanhamento de prazos até a administração financeira e a relação com clientes.
Para Paulo Víctor Moreira de Oliveira, advogado, consultor em gestão jurídica e estrategista e líder operacional da ADVBOX, esse movimento passa pela integração da tecnologia a um método eficiente de gestão. Inscrito na OAB-PI sob o número 12.679, ele atua a partir de Teresina atendendo escritórios de diferentes regiões do país.
Segundo Paulo Víctor, a ADVBOX funciona como um ecossistema de gestão e inteligência jurídica, reunindo tecnologia, capacitação e comunidade. A plataforma concentra diferentes etapas da operação de um escritório, como relacionamento com clientes, processos, prazos, intimações, tarefas, documentos, financeiro, produtividade e indicadores.
“Não entregamos apenas acesso a um sistema; conectamos tecnologia, método de gestão, capacitação e comunidade para que o escritório evolua com mais estrutura e previsibilidade”, explica. De acordo com os dados informados pelo executivo, a ADVBOX atende atualmente mais de 6 mil escritórios e reúne mais de 100 mil usuários ativos.
Tecnologia para reduzir tarefas repetitivas
Entre os principais impactos da digitalização está a possibilidade de substituir controles fragmentados, muitas vezes distribuídos entre planilhas, agendas, mensagens e e-mails, por uma operação centralizada. A tecnologia pode auxiliar desde a entrada de um potencial cliente até o controle de honorários, passando por prazos, documentos, tarefas e acompanhamento da produtividade.
Para o consultor, a visibilidade proporcionada pelos dados também permite identificar problemas antes que eles comprometam a operação. “O gestor consegue enxergar processos parados, tarefas atrasadas, responsáveis sobrecarregados, gargalos operacionais, resultados financeiros e desempenho por equipe ou etapa. Isso permite agir antes que um atraso se transforme em crise”, afirma.
A digitalização, entretanto, não elimina a necessidade de supervisão profissional. Paulo Víctor defende que recursos de inteligência artificial e automação sejam acompanhados por regras, controle de acesso, capacitação e revisão humana, especialmente diante das exigências relacionadas à segurança das informações e à LGPD.

Mercado jurídico piauiense amplia interesse por inovação
No Piauí, a percepção é de que a transformação tecnológica também começa a avançar entre os profissionais da advocacia. A atuação da ADVBOX no estado ocorre por meio de sua estrutura nacional e digital, mas também inclui atividades presenciais em Teresina voltadas à gestão e modernização dos escritórios.
“A cada encontro presencial cresce o número de advogados que chega perguntando por gestão, por indicadores, por estrutura de equipe, e não apenas por atalho tecnológico. A tecnologia deixou de ser assunto de curiosidade e passou a fazer parte da agenda operacional dos escritórios daqui”, avalia Paulo Víctor.
Esse trabalho também se conecta ao Movimento Elite Jurídica, cofundado pelo advogado ao lado de Paloma Cardoso. A iniciativa já promoveu encontros em Teresina e em outras cidades da região com discussões sobre gestão, liderança e empreendedorismo jurídico. Paulo Víctor também coordena o MBA em Gestão e Liderança para Empreendedores Jurídicos, formação de 360 horas direcionada ao setor.
Para ele, um dos desafios do mercado local é superar o que classifica como “digitalização fragmentada”. “O Piauí não precisa apenas de mais ferramentas. Precisa de uma estrutura que faça prazos, processos, equipe, financeiro e inteligência artificial operarem juntos, com controle e segurança”, ressalta.
Inteligência artificial deve ganhar novas funções
A inteligência artificial tende a aprofundar essa transformação nos próximos anos. Na avaliação de Paulo Víctor, o próximo estágio não estará restrito à produção de textos ou às ferramentas capazes de responder perguntas. A tendência é que a IA esteja diretamente integrada às operações dos escritórios.
Entre os movimentos esperados estão agentes de inteligência artificial especializados, maior automação dos fluxos jurídicos, decisões administrativas baseadas em indicadores e fortalecimento das práticas de governança e segurança.
“Inteligência artificial sem método pode gerar velocidade sem controle”, resume. Segundo ele, a tendência é combinar automação e análise de dados com regras internas, capacitação e supervisão, preservando o advogado como responsável pelas decisões e pelo comando da operação.
SERVIÇO:
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