Ao usar este site você concorda com nossa Política de Privacidade e termos de uso.
Accept
segunda-feira, 10 ago, 2026
segunda-feira, 10 ago, 2026
  • Home
  • Destaque
  • Jurídico
  • Tribunais
  • Notícias
Busca
  • Home
  • Destaque
  • Jurídico
  • Tribunais
  • Notícias
Have an existing account? Entrar
Follow US

Home - Artigos - A pátria endividada

ArtigosDestaque

A pátria endividada

Redação
Last updated: 07/08/2026 1:59 PM
Redação
Published: 10/08/2026
Share
unnamed
SHARE

*Stéfano Ribeiro Ferri

O endividamento está corroendo a renda das famílias brasileiras. Não por acaso, o país atingiu dois marcos preocupantes: por um lado, mais de 83 milhões de pessoas estão negativadas, segundo o Mapa da Inadimplência do Serasa; por outro, o Banco Central informou que a inadimplência média nas operações de crédito subiu para 4,7%, o maior patamar da série histórica iniciada em 2011. Os números chamam ainda mais atenção porque foram divulgados na esteira de sucessivos programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola. Em matéria de endividamento, o Brasil tornou-se especialista em apagar incêndios, mas continua distribuindo fósforos.
O problema não é a renegociação de dívidas. Para milhões de brasileiros, ela representa alívio imediato, um respiro diante de uma situação financeira já insustentável. O equívoco está em tratá-la como solução para um fenômeno extremamente complexo. Quando uma política pública foca apenas no sintoma, ignorando as causas estruturais, limita-se a enxugar gelo. Os dados evidenciam que, apesar das sucessivas iniciativas de renegociação lançadas desde 2023, a curva do endividamento continua em patamares alarmantes.
A expansão desenfreada do acesso ao crédito, muitas vezes desacompanhada de uma análise responsável da capacidade financeira do consumidor, somada à escassez de políticas efetivas de educação financeira, é terreno fértil para o endividamento recorrente. Em vez de representar um instrumento para a realização de projetos ou para o enfrentamento de situações excepcionais, o crédito passa a funcionar como complemento de renda, prolongando um ciclo vicioso.
A banalização desse cenário é sua face mais destrutiva. Antecipar salários, parcelar despesas corriqueiras, recorrer ao crédito para pagar contas básicas ou contratar um empréstimo para quitar outro são decisões que passaram a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. A exceção virou regra. Trata-se de um problema que transcende a esfera individual e se revela como uma falha estrutural da nossa sociedade.
Há uma perigosa inversão de valores na forma como o governo conduz o debate. A propaganda oficial alardeia linhas de crédito subsidiadas e pacotes de bondades como sinônimos de desenvolvimento social. Contudo, tais medidas apenas refletem o grau de dependência financeira da população. Um país em que milhões de pessoas vivem à espera de subsídios claramente perdeu a capacidade de viver com a própria renda.
Portanto, em vez de anunciar aos sete ventos o número de contratos renegociados ou o volume de crédito concedido por meio de programas governamentais, como sói acontecer em tempos de eleição, faria bem o Poder Público ao concentrar seus esforços na prevenção do endividamento, ainda que, para isso, tenha que adotar medidas impopulares. O verdadeiro sucesso não está na quantidade de dívidas renegociadas, mas na redução efetiva do número de brasileiros que chegam à condição de inadimplentes.
O combate às chamas é necessário. O grande desafio, no entanto, está na prevenção do incêndio. Uma sociedade madura mede o sucesso de suas políticas públicas menos pela eficiência com que enfrenta as crises e mais pela capacidade de evitá-las.

Fonte: Stéfano Ribeiro Ferri – advogado, sócio fundador do escritório Stéfano Ferri Advogados, com atuação especializada em Direito do Consumidor. É Relator da 6ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/SP e membro da Comissão de Direito Civil da OAB Campinas. Graduado pela FAAP.

Proteção da marca e segurança jurídica: a atuação do advogado no pedido de registro perante o INPI
Candidato negro aprovado em concurso para juiz deve ser desconsiderado de cotas
Lei anticrime: A interpretação do STJ no primeiro ano de vigência
Defensoria Pública discute litigância estratégica para o acesso à Justiça
Sérgio Cabral deve deixar presídio na segunda-feira, estima defesa
Share This Article
Facebook Whatsapp Whatsapp LinkedIn Telegram Email Imprimir

Revista Direito Hoje

Somos um veículo que transcende as barreiras convencionais do pensamento jurídico para discussão de temas diversos e plurais

Transparência e Contato

  • Home
  • Sobre Nós
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Contato

Comercial

Anuncie conosco
Contato Whatsapp: (86) 9.94373797
E-mail: [email protected]

© Revista Direito Hoje. All Rights Reserved.Site Powered by Masavio
  • Home
  • Destaque
  • Jurídico
  • Tribunais
  • Notícias
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?