Mídia estrangeira critica atuação de Bolsonaro no controle da pandemia

Segundo os jornais internacionais, o colapso de saúde no Brasil representa uma ameaça a todo o mundo.

Nas últimas semanas, jornais de todo o mundo têm dado destaque, de forma negativa, à atuação do presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia, já que o país caminha no sentido oposto do resto do mundo, que dá sinais de melhora e controle da doença.

Segundo a mídia internacional, o colapso de saúde no Brasil representa uma ameaça a todo o mundo. As reportagens destacam, por exemplo, o perigo da variante brasileira do coronavírus, também chamada de P1, se espalhar pelo globo, colocando todos os países em risco.

The Guardian, jornal inglês, em artigo intitulado “A visão do Guardian sobre Jair Bolsonaro: um perigo para o Brasil e para o mundo”, diz que “a perspectiva de o extremista de direita Jair Bolsonaro se tornar presidente do Brasil sempre foi assustadora. Era um homem com histórico de denegrir mulheres, gays e minorias, que elogiava o autoritarismo e a tortura. O pesadelo se revelou ainda pior na realidade”.

De acordo com o folhetim, Bolsonaro permitiu que o coronavírus aumentasse sem controle, atacando as restrições de movimento, máscaras e vacinas. “Mais de 60.000 brasileiros morreram apenas em março”, lamenta o texto.

Washington Post, por sua vez, afirmou que o Brasil “se tornou o maior evento da América do Sul”.

“Há uma ansiedade crescente em partes da América do Sul de que P1 possa rapidamente se tornar a variante dominante, transportando o desastre humanitário do Brasil – pacientes adoecendo sem cuidados, um número de mortos disparado – para seus países.”

Já para o Financial Times, Bolsonaro minimizou consistentemente a pandemia e está mais “isolado do que nunca”.

“A saída repentina dos generais ocorre em meio a um desastre de saúde pública, com um número recorde de mortes por coronavírus, tornando o Brasil o epicentro global da pandemia. A mudança aprofundou a crise política sobre a oposição teimosa de Bolsonaro aos bloqueios e as ameaças do ex-capitão do exército de usar o exército contra as autoridades locais que tentaram impô-lo.”

Autoridades também se manifestaram

Chefes do Executivo de outros países também fizeram duras críticas ao presidente brasileiro. Nicolás Maduro, da Venezuela, em pronunciamento, disse que a variante brasileira do coronavírus deveria se chamar “Bolsonaro”.

“Ele é o culpado por abandonar o seu povo e por ser louco, insensível, um psicopata. Um psicopata! Insensível! Não lhe dói o povo do Brasil. Não lhe dói nada. A ele só interessa sua loucura. Vejam a situação que ele meteu o Brasil e a humanidade. O Brasil é o epicentro mundial das variantes mais perigosas e da expansão do coronavírus. Essa é a verdade.”

O ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper, postou em uma rede social: “Bolsonaro conseguiu transformar o Brasil em um gigantesco buraco do inferno”.

Ele sabia e, ainda assim, não fez nada

Em pronunciamento no último dia 23 de março, Bolsonaro inicia seu discurso falando sobre a nova variante do coronavírus (como se fosse algo, de fato, novo) e destaca: “estamos no momento de uma nova variante do coronavírus que infelizmente tem tirado a vida de muitos brasileiros”. Apesar do perigo, o presidente, lamentavelmente, apenas manteve as mesmas medidas já adotadas.

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Por: Redação do Migalhas

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