Itália vai processar Astrazeneca por atraso na entrega de vacinas

Farmacêutica havia prometido entregar 8 milhões de doses ao país no primeiro trimestre, mas a estimativa agora é de 3,4 milhões

A Itália vai entrar com ação judicial contra a farmacêutica Astrazeneca por reduzir o lote de vacinas contra o coronavírus, anunciou o primeiro-ministro do país Giuseppe Conte.

“Recorreremos a todos os instrumentos e todas as iniciativas legais, como já estamos fazendo com a Pfizer-BioNtech, para reivindicar o respeito aos compromissos contratuais e proteger nossa comunidade”, disse ele em suas redes sociais.

O ministro da Saúde da Itália, Roberto Speranza, reuniu-se com os diretores da Astrazeneca no país, que confirmaram a redução dos embarques devido a problemas de produção do composto.

A Itália estima que receberá 3,4 milhões de doses em vez das 8 milhões estipuladas no primeiro trimestre do ano, assim que a vacina Astrazeneca receber aprovação da EMA (Agência Europeia de Medicamentos), o que deve ocorrer até 29 de janeiro.

“Tudo isto é inaceitável, o nosso plano de vacinação, aprovado pelo Parlamento e ratificado pela Conferência Estado-Regiões, foi elaborado com base em compromissos contratuais livremente assinados pelas empresas farmacêuticas e pela Comissão Europeia”, afirmou Conte.

O premiê explicou que, com a diminuição das doses, as regiões serão obrigadas a desacelerar as campanhas de vacinação e isso, por sua vez, causará “enormes danos à Itália e ao resto dos países europeus, com consequências diretas na vida e na saúde” das pessoas, além de acarretar consequências econômicas e sociais.

Brasil

A Astrazeneca é a mesma farmacêutica contratada pelo governo brasileiro para fornecimento de vacinas de Oxford no Brasil. Na sexta-feira (22), após uma semana de atraso, chegaram dois milhões de doses, que foram levados à Fiocruz para conferência. No sábado, a distribuição nacional foi iniciada.

A Fiocruz prevê receber a matéria-prima para a produção da vacina de Oxford no Brasil “por volta do dia 8 de fevereiro”, segundo a presidente da fundação, Nísia Trindade Lima. A previsão inicial era de que os insumos, vindos da China, chegassem ainda este mês.

Ofensiva contra a Pfizer

A Itália também estuda uma ação judicial contra a Pfizer, fabricante da vacina que atualmente é fornecida no país juntamente com a Moderna, por atrasos nas entregas.

As autoridades estão preocupadas principalmente com a demora na aplicação da segunda dose do imunizante, que deve ser injetada três semanas após o recebimento da primeira (a EMA desaconselhou o adiamento por mais de 42 dias).

A Itália é um dos países europeus mais avançados em sua campanha de vacinação: até este sábado (23) foram fornecidas 1.343.880 doses e 71.694 pessoas já foram vacinadas, principalmente médicos e profissionais de saúde, além de idosos com mais de 80 anos.

R7

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