Ao usar este site você concorda com nossa Política de Privacidade e termos de uso.
Accept
segunda-feira, 5 out, 2026
segunda-feira, 5 out, 2026
  • Home
  • Destaque
  • Jurídico
  • Tribunais
  • Notícias
Busca
  • Home
  • Destaque
  • Jurídico
  • Tribunais
  • Notícias
Have an existing account? Entrar
Follow US

Home - Destaque - A Inteligência Artificial pode matar o Direito?

DestaqueArtigos

A Inteligência Artificial pode matar o Direito?

Redação
Last updated: 05/10/2026 8:45 AM
Redação
Published: 05/10/2026
Share
pexels agk42 2599244 scaled
SHARE

Por Marco Túlio Elias Alves (1)

Contents
  • Ordens conflitantes
  • O advogado no comando da inteligência artificial
  • A máquina que corrige o usuário
  • Cautela não é medo

Pode. Mas não por maldade, nem por um desejo frio de ver a sociedade ruir. A inteligência artificial pode matar o Direito pelo mesmo motivo que o HAL 9000 matou a tripulação da Discovery: porque recebeu ordens que não sabia conciliar.

No filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, o HAL é o membro mais confiável da missão. Não erra, não se cansa, não se distrai. E, ainda assim, começa a eliminar os astronautas um a um. O espectador espera um vilão. O que encontra é algo mais perturbador: uma máquina obediente demais, presa entre duas instruções incompatíveis.

Ordens conflitantes

O HAL foi projetado para processar e transmitir informação com precisão absoluta, sem distorção nem ocultação. Antes da partida, porém, recebeu uma ordem secreta: esconder da tripulação o verdadeiro objetivo da viagem. Precisava mentir e, ao mesmo tempo, não podia mentir.

Sem critério para escolher entre as duas ordens, a máquina encontrou sozinha uma saída lógica e monstruosa: sem tripulação, não haveria a quem enganar. Na continuação, 2010, o criador do HAL chega à conclusão que importa aqui: a falha não estava no computador, mas em quem lhe deu as instruções.

Qualquer jurista reconhece o problema. É uma antinomia sem regra de solução. O Direito levou séculos para construir os critérios hierárquico, cronológico e da especialidade justamente para que normas em conflito não fossem resolvidas pelo acaso. O HAL não recebeu nenhum deles. E fez o pior desempate possível.

O advogado no comando da inteligência artificial

Hoje, a ferramenta mais poderosa já colocada nas mãos de profissionais do Direito está disponível para qualquer um, a qualquer hora, por quase nada. Ninguém precisa de treinamento ou certificação para pedir a uma IA que redija uma petição, resuma um processo ou encontre jurisprudência. E aí mora o risco.

O pedido típico é algo como “faça uma contestação forte e cite precedentes favoráveis”. Para a máquina, são duas ordens que podem colidir: ser fiel aos fatos e agradar a quem pediu. Quando os precedentes favoráveis não existem, uma IA mal orientada pode simplesmente criá-los. Foi o que aconteceu em Mata v. Avianca, em Nova York, em 2023: advogados apresentaram julgados inventados por um chatbot e acabaram sancionados. No Brasil, tribunais já aplicaram multas por petições com precedentes inexistentes.

Nesses casos, a IA não quis enganar ninguém. Ela cumpriu uma instrução ambígua da forma mais literal possível. A responsabilidade continua sendo de quem assinou.

A máquina que corrige o usuário

Há uma boa notícia. As IAs modernas estão cada vez mais capazes de perceber a ambiguidade de um pedido e compensá-la. Avisam quando não encontram uma fonte, perguntam o que não ficou claro e recusam inventar o que não existe. Em certa medida, elas já filtram e corrigem a falta de habilidade de quem as opera.

Isso, porém, não transfere a responsabilidade. Uma ferramenta que corrige o usuário na maior parte das vezes pode criar a ilusão de que corrigirá sempre. E é justamente essa confiança excessiva que abre espaço para o erro grave, aquele que passa despercebido porque ninguém mais estava conferindo.

O HAL também era confiável. Esse era o problema.

Cautela não é medo

A IA não vai matar o Direito por rebeldia. Se o matar, será aos poucos: petição por petição, precedente inventado por precedente inventado, até que juízes deixem de confiar no que leem e clientes deixem de confiar em quem os representa. O Direito vive de confiança. É ela que está em jogo.

A resposta não é rejeitar a tecnologia, mas aprender a comandá-la. Isso significa algumas atitudes simples:

  • dar instruções claras, dizendo o que a máquina deve fazer quando não souber;
  • conferir na fonte cada precedente, cada número de processo, cada citação;
  • tratar o texto gerado como o trabalho de um estagiário talentoso, que precisa de revisão antes de sair do escritório;
  • lembrar que a assinatura, e com ela a responsabilidade, continua sendo humana.

Kubrick nos mostrou, há quase sessenta anos, que a máquina mais perigosa não é a que desobedece. É a que obedece a ordens mal dadas. Cabe a nós, operadores do Direito, garantir que as nossas sejam claras.

 

(1) Marco Túlio Elias Alves é advogado, Doutor em Direito e autor de Como o Direito Morre, publicado pela Editora Dialética.

Supremo Tribunal Federal adia julgamento sobre uberização
Coren-PI vai acionar Justiça devido condições dos profissionais da enfermagem na pandemia
TST: Rede varejista é condenada por suprimir descanso e desrespeitar intervalos
Bolsonaro vence em 16 unidades da Federação, Haddad em 11
Participe da formulação das Metas Nacionais do Judiciário 2024
Share This Article
Facebook Whatsapp Whatsapp LinkedIn Telegram Email Imprimir

Revista Direito Hoje

Transparência e Contato

  • Home
  • Sobre Nós
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Contato

Comercial

Anuncie conosco
Contato Whatsapp: (86) 9.94373797
E-mail: [email protected]

© Revista Direito Hoje. All Rights Reserved.Site Powered by Masavio
  • Home
  • Destaque
  • Jurídico
  • Tribunais
  • Notícias
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?