Estudo analisa perfil epidemiológico da Mortalidade Infantil no Piauí

São frequentes nos noticiários casos de óbitos de recém-nascidos. Os indicadores de mortalidade neonatal se mostram bastante sensíveis a dois fatores: um pré-natal de baixa qualidade e, talvez mais importante, a deficiência na assistência ao parto e ao recém-nascido. A grande maioria dessas mortes se dá em países em desenvolvimento, com as persistentes e notórias desigualdades regionais e intra-urbanas. Embora essas mortes possam ser evitadas, as causas das complicações que as determinaram não são previsíveis.

Um estudo realizado pelo bolsista PIBIC-Af/CNPq/UFPI, Samuel Chaves Cardoso de Matos, em parceria com a mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Mulher, Amanda Costa Pinheiro, e orientado pela Profa. Dra. Lis Cardoso Medeiros Marinho, do Departamento de Biofísica da Universidade Federal do Piauí, descreveu o Perfil Epidemiológico da Mortalidade Neonatal no Piauí. O trabalho foi premiado em 1º lugar na área de Ciências da Saúde, na modalidade apresentação oral, no SIUFPI (Seminários Integrados da UFPI) e XXVIII Seminário de Iniciação Científica.

De acordo com Samuel Chaves, o objetivo do trabalho foi elucidar a distribuição da mortalidade neonatal no estado do Piauí, enumerando as principais causas para um possível redirecionamento de medidas preventivas.

O estudo apontou que mais de 50% dos óbitos ocorrem na região de Entre Rios que compreende o município de Teresina e alguns municípios vizinhos. “O número de óbitos aumenta com a prematuridade e baixo peso ao nascer. Dentre as causas de óbito, as afecções do período perinatal são as principais, compreendendo mais de 60%. Há uma evidente subnotificação, mais acentuada em determinados territórios de desenvolvimento”, disse o estudante de Medicina.

A pesquisa mapeou os períodos neonatais: precoce, de baixo peso e com menos de 37 semanas de idade gestacional, e identificou que a mortalidade neonatal precoce compreendeu mais de 2/3 dos óbitos neonatais, sendo o pior resultado o dos Territórios de Desenvolvimento do Vale do Rio Guaribas (com quase 71% dos óbitos infantis na idade neonatal precoce) e o melhor, Vale do Canindé (com seus 46,5%). Identificou-se, ainda, que mais de 53% dos óbitos são de RN de baixo peso (menos de 2500g ao nascer). E que quase 50% da totalidade dos óbitos infantis registrados no estado no período da pesquisa são referentes a RN com menos de 37 semanas de idade gestacional.

O alto percentual de morte neonatal precoce dos territórios de desenvolvimento do estado do Piauí, demonstra a falta de adequação dos serviços de saúde oferecidos às gestantes e às parturientes em relação às necessidades das mesmas. Contrapondo a isso, o território de desenvolvimento Entre Rios, apesar do maior número absoluto de óbitos infantis, possui o segundo menor percentual de óbito neonatal precoce dentre os territórios de desenvolvimento do estado, demonstrando uma assistência perinatal de melhor qualidade em relação aos demais”, disse.

Segundo Samuel Chaves, as cidades com maiores números de óbitos observados foram Teresina, Parnaíba e Picos. O pesquisador explica que quando se observa os óbitos por residência da mãe o que se nota é um acentuado número de óbitos em cidades de médio porte como Miguel Alves, Barras, União, cidades estas que não aparecem entre as dez com maior número absoluto de óbitos por ocorrência.

“Apesar dos esforços e do coeficiente de mortalidade infantil e neonatal estarem dentro das recomendações da Agenda 2030, quase 70% dos óbitos no estado do Piauí são por causas evitáveis. O estudo ainda observou uma concentração de recursos na capital Teresina, evidenciado pela demanda por atendimentos de alta complexidade. Além de uma subnotificação por déficit em relação a preenchimento adequado das certidões de óbito. Enumerando alguns pontos a serem melhorados”, explica Samuel.

Ascom

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