terça-feira , setembro 29 2020

Mais de 60% das empresas que tentaram crédito e não conseguiram são pequenas

Segundo pesquisa, esse índice cai para 5% quando a empresa é grande. Dinheiro não está chegando a quem mais precisa durante a pandemia.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), feito por Rodolpho Tobler, mostra que 64,4% das empresas que foram no mercado atrás de crédito e não conseguiram são pequenas. Esse índice cai para 5% quando a empresa é grande. Por isso, o dinheiro não está chegando a quem mais precisa.

Segundo o estudo, as maiores dificuldades do pequeno empresário estão na burocracia e nas exigências bancárias.

O empresário Raul Duque dos Santos fez o que pode: suspendeu o contrato de trabalho dos funcionários, renegociou com fornecedores e ativou canais de venda online, mas sua receita ficou em 10% do que faturava no mesmo período do ano passado.

Raul tem cinco lojas de calçados e roupas e tinha acabado de renovar o estoque quando a pandemia começou. Para pagar as contas, a saída foi recorrer a linhas de crédito. Uma delas foi o Pronampe, um programa do Governo Federal destinado ao fortalecimento de pequenos negócios.

Para Raul, o principal diferencial nessa linha de crédito foi que não houve necessidade de garantia. No Pronampe, a taxa de juros máxima é de 1,25% ao ano, mais a Selic e a empresa pode tomar empréstimos de até 30% da receita bruta anual em 2019.

Os recursos iniciais do Pronampe se esgotaram em apenas um mês. O governo estuda aumentar o programa. Raul conseguiu o empréstimo, mas apenas 10% do faturamento do ano passado. Mesmo assim, pode se considerar parte de uma minoria.

A economista Juliana Damasceno afirma que embora o fundo garantidor do governo banque 85% da operação no caso do Pronampe, nem isso está sendo suficiente. “O principal gargalo não é o volume de crédito em si, mas sim a forma de propagação desse crédito dentro no sistema financeiro, principalmente por causa da atuação das instituições privadas, que hoje em dia têm tido uma certa relutância pra assumir os riscos envolvidos nessa contratação de crédito”, explica.

Para Juliana, a lenta retomada da economia exige novas medidas de apoio aos pequenos empresários. “Uma das saídas, assim como foi feito em diversos outros países durante a pandemia, é a União garantir 100% do risco do crédito”, diz.

G1

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