Após morte de advogados, OAB-GO se reúne com Polícia Civil e discute porte de arma para a categoria

Membros da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) se reúnem com o delegado-geral da Polícia Civil, Odair José Soares, na manhã desta terça-feira (3), para discutir medidas de segurança para a categoria. O encontro foi agendado após o último episódio de violência contra profissionais do ramo, quando dois advogados foram assassinados a tiros no escritório onde trabalhavam, em Goiânia.

Dentre as pautas, está a discussão sobre a liberação de porte de armas para advogados como forma de “autodefesa”.

De acordo com Edemundo Dias, presidente da Comissão Especial de Trabalho para Acompanhar as Investigações de Casos de Violência Praticados Contra Advogados em Goiás (Cetiva), um levantamento aponta 24 advogados assassinados nos últimos 16 anos.

“Nossa preocupação é que isso se banalize, se vulgarize e que esses profissionais que trabalham em litigâncias, interesses contrários, venham a ser atacados de uma forma banal. Por isso estamos preocupados com esse assunto, debatendo com a sociedade e com as autoridades”, explica.

Porte de armas

Uma das bandeiras defendidas por Dias é a liberação do porte de arma para advogados. Ele diz que outros profissionais que atuam no âmbito judiciário já têm essa prerrogativa.

“Uma dessas maneiras que nós estamos buscando debater é a questão do porte de arma. Porque juiz tem porte de arma. Promotor tem porte de arma liberado. Policiais também. Nós, os advogados, que somos também imprescindíveis à Justiça, estamos reivindicando para sua autodefesa”, argumenta.

O presidente da comissão destaca ainda que, particularmente, é contra a cessão do porte de forma “indistinta”. Porém, no caso dos advogados, diz que há dois argumentos “intransponíveis” para defender a tese.

“Primeiro a questão da paridade. Se aqueles que trabalham na administração da Justiça têm direito, os advogados também têm. Outra coisa, é uma questão de autodefesa. O cidadão tem o direito de se defender”, avalia.

G1 contatou a Polícia Civil sobre a posição do órgão em relação ao que foi discutido na reunião e aguarda retorno.

 

Morte dos advogados

A reunião foi motivada pela morte dos advogados Marcus Aprígio Chaves, de 41 anos, e Frank Alessandro Carvalhaes, de 47, na última quarta-feira (29).

Pedro Henrique Martins Soares, de 25 anos, foi preso e confessou ter atirado nos advogados e sustenta a versão de latrocínio, quando o roubo resulta em morte. A Polícia Civil não acredita na versão de que ele e o comparsa, Jaberson Gomes, morto em confronto com a PM do Tocantins, tenham viajado mais de 1 mil quilômetros até Goiânia para roubar R$ 2 mil no escritório dos advogados.

Dias também não crê na versão de latrocínio porque a versão apresentada “não convence”. Ele pediu que o caso seja esclarecido pelo polícia, incluindo a motivação.

“Atacar um advogado dentro do seu local de trabalho, com tamanha violência, é uma barbaridade que a gente não pode suportar. Tem que reagir com grande indignação”, cobra.

Em nota, a Polícia Civil informou que a força-tarefa criada para investigar o crime segue “em diligências para apurar a motivação do assassinato” e também apura a possibilidade de existir um mandante do crime. O comunicado destaca ainda que o inquérito está sob sigilo e detalhes só serão passados quando da sua conclusão.

Por Sílvio Túlio, G1 GO

Fonte: g1.globo.com

Veja Também

Moraes pede que PGR se manifeste após Bolsonaro desistir de depor

Ministro do STF também determinou a prorrogação por mais 60 dias do inquérito que apura acusação …