quarta-feira , novembro 25 2020

Justiça bloqueia R$ 29 mi de Doria por improbidade na Prefeitura de SP

Às vésperas da eleição de 2018, Doria teria aumentado gastos com publicidade municipal para autopromoção, segundo MP. Defesa vai recorrer

A 14ª Vara da Fazenda Pública do estado de São Paulo determinou nesta segunda-feira (19), em decisão liminar, o bloqueio de R$ 29,4 milhões em bens do governador João Doria (PSDB) em um processo no qual ele é réu por suspeita de improbidade administrativa quando foi prefeito da cidade de São Paulo.

Em nota (veja  o texto na íntegra abaixo), a defesa de João Doria afirmou que irá recorrer da decisão e que não concorda com os motivos e fundamentos da decisão porque considera que “Doria jamais dilapidaria o seu patrimônio para evadir-se das suas responsabilidades”.

O MP-SP (Ministério Público de São Paulo), que iniciou inquérito contra Doria no final de 2018, acusa o governador de ter se utilizado da máquina pública às vésperas das eleições daquele ano para se autopromover, na época em que ainda era prefeito da cidade de São Paulo. O prejuízo aos cofres públicos com os gastos exagerados em publicidade teria sido de R$ 29 milhões.

Com base em números oficiais, os procuradores calcularam que a prefeitura de São Paulo gastou R$ 52,5 milhões em propaganda no primeiro semestre daquele ano, 79% a mais do que a média dos primeiros semestres de 2015 a 2017, R$ 29,3 milhões. Segundo a PRE-SP, R$ 44 milhões foram gastos entre 1.º de janeiro e 6 de abril, quando Doria renunciou à Prefeitura para concorrer ao governo estadual.

A Lei Eleitoral, no artigo 73, proíbe expressamente o aumento da verba publicitária em ano eleitoral em comparação com a média dos anos anteriores.

Ainda de acordo com o MP, o conteúdo das propagandas tinha “estilo personalista” e ajudavam a reforçar marcas e slogans que seriam usados na campanha eleitoral.

Problemas com propaganda

A gestão do prefeito João Doria na cidade de São Paulo foi marcada por problemas com a Justiça no uso de propaganda municipal e promoção de programas. Em agosto deste ano, o político foi condenado, em outra suspeita de improbidade administrativa, por ter usado o slogan “Acelera SP”.

A marca foi criada por Doria durante as eleições de 2016 continuou sendo usada pelo prefeito em vídeos publicados em suas redes sociais logo após eventos oficiais dentro e fora da Prefeitura.

A ação foi ajuizada em março de 2018 pelo promotor Nelson Luís Sampaio de Andrade, do Patrimônio Público e Social. Para ele, Doria se valeu de slogans e da identidade visual de seus programas políticos e os vinculou a sua imagem pessoal.

Na condenação, da qual a defesa de Doria também recorreu, o prefeito terá que pagar multa de R$ 600 mil reais, o equivalente a 25 salários do tucano enquanto prefeito da capital.

Defesa

Em nota, a defesa do de João Doria, sob responsabilidade do advogado Marcio Pestana, afirma o seguinte:

“A ação civil pública citada encontrava-se sem movimento desde julho de 2019 e, curiosamente às vésperas das eleições municipais, foi retomada com a apreciação da liminar requerida pelo MP.

A defesa de João Doria não concorda com os motivos e fundamentos invocados pelo magistrado para decretar a indisponibilidade dos seus bens, especialmente porque Doria jamais dilapidaria o seu patrimônio para evadir-se das suas responsabilidades.

A defesa recorrerá ainda  esta semana ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para reverter a decisão que tem caráter liminar.”

O governador se manifestou nas redes sobre o caso classificando a decisão como “descabida” e afirmando que vai recorrer. “Pela primeira vez na história da cidade, utilizamos recursos das multas de trânsito para o recapeamento de ruas e avenidas da Capital”.

O governador também usou as redes sociais para se defender.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Clarice Sá

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