Alta dose de cloroquina não deve ser usada para caso grave de covid-19

Estudo coordenado pelo infectologista Marcus Lacerda, da Fiocruz Amazônia, indica que dosagem alta podem aumentar riscos à saúde dos pacientes

A OMS (Organização Mundial da Saúde) suspendeu os estudos com hidroxicloroquina após estudo publicado na revista científica Lancet mostrar que a droga está ligada ao maior risco de morte e arritmia, além de não ser eficaz em pacientes com covid-19.

Apesar disso, o Brasil decidiu manter a ampliação do uso do medicamento para pacientes com sintomas leves de covid-19. Por aqui, o estudo CloroCovid19, publicado no periódico científico JAMA Network Open, aponta que doses altas da cloroquina – mais forte e menos segura – não devem ser usadas em pacientes em estado grave por causa da doença.

A investigação, que envolve mais de 70 pesquisadores, é coordenada pelo médico infectologista Marcus Vinicius Lacerda da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia e da FMT-HVD (Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado).

O objetivo foi avaliar a eficácia e segurança de duas dosagens diferentes de cloroquina em pacientes com SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) que tiveram diagnóstico confirmado de covid-19. No início, 81 pacientes internados no hospital Delphina Aziz, referência para covid-19 no Amazonas, foram divididos em dois grupos e acompanhados por 28 dias.

Riscos à saúde

Dentre os 41 pacientes que receberam doses altas de cloroquina (600 mg duas vezes ao dia, por dez dias), 16 morreram até o 13º dia de acompanhamento, o que corresponde a 39%. Já no grupo de baixas doses (450 mg duas vezes ao dia no primeiro dia, e uma vez ao dia por mais quatro dias), 6 pessoas morreram – a porcentagem foi de 15%.

Além disso, o grupo que tomou altas doses apresentou mais alterações na frequência cardíaca.

Após analisar os dados preliminares da pesquisa, o Comitê de Monitoramento de Dados e Segurança (CMDS) recomendou que os testes com a parcela que recebeu a alta dosagem de cloroquina fossem interrompidos imediatamente, o que aconteceu no início de abril.  Os estudos com o outro grupo continuaram até o dia 7 de maio.

Assim, foi concluído que doses altas de cloroquina não devem ser recomendadas para pacientes com covid-19 em estado grave e podem apresentar riscos de segurança, especialmente quando associadas a azitromicina e oseltamivir.

A pesquisa ainda tem uma segunda fase que investiga a eficácia e segurança da cloroquina quando está associada a placebo. Esta etapa teve inicío no dia 3 de maio e os pacientes também serão monitorados por 28 dias.

Ao todo, mais de 350 pessoas foram avaliadas nas apurações sobre dosagens da cloroquina e seus efeitos junto com placebo.

Cloroquina em pacientes sem SRAG

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Um outro estudo, chamado “CloroCovid-19 II”, que começou em abril, analisa os efeitos da cloroquina em pacientes diagnosticados com covid-19 que não tiveram SRAG. Até agora, cerca de 250 pessoas foram analisadas.

A inclusão de voluntários foi encerrada no dia 14 de maio. Eles serão analisados pelos profissionais pelo mesmo período de 28 dias.

 

R7

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