quarta-feira , setembro 30 2020

Varejo alimentar se destaca em nova onda de cartões próprios

A demanda por cartões private label se expande para o varejo alimentar. Antes usado principalmente pelos setores de bens duráveis e vestuário, supermercados começam a apostar no plástico para driblar a maior restrição ao crédito e baixo consumo no País.“Essa categoria de cartão tem benefícios muito parecidos com os dos grandes bancos; o que diferencia, de fato, é a proposta de valor que cada varejista coloca”, ressaltou o diretor financeiro do atacarejo Assaí, José Marcelo Santos.

Ele reforça que, com uma situação financeira mais complicada nas famílias, o movimento de expansão nessa categoria vem também para atender um “público novo” que chegou às lojas, procurando produtos cada vez mais baratos. “Hoje, o consumidor final representa 50% da nossa demanda. Há uma mudança de hábito, seja pelo modelo de negócio como também pela situação da economia” declara Santos.

De acordo com a CEO e fundadora da Trigg, Marcela Miranda, além dos usuais segmentos de eletrodomésticos, móveis, eletrônicos e até vestuários, os supermercados começam a tomar frente da procura pelo plástico.“O principal fator para esse novo movimento é que além do aumento das vendas e da fidelização do cliente em tempos difíceis, a relação do consumidor com produtos alimentícios traz uma inadimplência bastante atrativa ao setor”, comenta.

Apesar da “limpa no portfolio” pelo qual as administradoras de private label passaram nos últimos anos pela alta drástica de calotes, os executivos entrevistados ponderam que as concessões agora têm sido feitas com maior cautela e, assim, trazido melhor qualidade à carteira.“Mesmo com o cenário turbulento, entendemos que o varejo alimentar é o último setor que o consumidor deixará de pagar, principalmente por se tratarem de bens de primeira necessidade cuja necessidade é recorrente”, complementa o diretor financeiro da DMCard, Carlos Damaki. Ele pondera, porém, que “não significa que não haja inadimplência nenhuma”. “A taxa de desocupação está alta e persistente e isso, em algum momento, pode atingir o varejo alimentar. O que vale ressaltar é que, ainda assim, não será na mesma proporção de outros setores”, acrescenta.

Segundo Damaki, sem os limites de uma grande instituição financeira, o private label ganha cada vez mais força tanto em no volume de vendas como na atração e novos clientes.“Além disso, o varejo acaba seguindo a tendência dos grandes grupos, como Pão de Açúcar e Extra, que deixam de trabalhar apenas com as margens de lucro para trazer descontos promocionais e formas de fidelização”, complementa o diretor.

Fonte: Portal New Trade

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