quinta-feira , outubro 29 2020

Toffoli: ‘Racismo estrutural está disseminado na sociedade’

Ex-presidente do STF participou, nesta quarta-feira (30), do Afro Presença, evento que visa promover oportunidades para jovens negros universitários

Nesta quarta-feira (30), o ex-presidente e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Antonio Dias Toffoli participou do painel de abertura do evento Afro Presença, um encontro que visa promover mais oportunidades de emprego para jovens negras e negros universitários.

O ministro destacou o racismo estrutural que atinge a sociedade brasileira.

“Entre as manifestações da desigualdade social, a discriminação racial ocupa uma posição central, o racismo estrutural está disseminado na sociedade. Trata-se de um conjunto de regras estabelecidas no passado, que dificultam a presença da pessoa negra em espaços de poder”, afirmou Toffoli.

O ministro também ressaltou que a promoção do bem estar social de todos, independentemente de origem, raça, cor, sexo, gênero ou idade, é objetivo fundamental da Constituição.

“É uma meta que deve ser perseguida sempre, pelas instituições públicas e privadas, na busca pela concretização do objetivo de uma sociedade mais igual e pluralista”, disse.

Jovens negros em cargos de liderança

No encontro virtual, organizado pelo MPT (Ministério Público de Trabalho) e promovido pelo Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas), a responsável pela coordenação geral do Afro Presença, a procuradora do MPT de São Paulo Valdirene Silva de Assis, falou também sobre os desafios no enfrentamento ao racismo estrutural.

“O MPT atua no combate a todas as formas de discriminação e na promoção da igualdade racial. O enfrentamento ao racismo é uma de nossas ações essenciais”, explicou.

Além disso, a procuradora comentou a respeito de iniciativas do MPT que visam uma presença maior da população negra — especialmente jovens — em diversas áreas de atuação e, principalmente, em posições de destaque e liderança nas companhias brasileiras.

“O foco nos universitários é justamente porque nossa intenção é de uma inclusão qualificada em postos estratégicos, de mando e gestão. São pensados postos como trainees, cargos efetivos e estágios nessas áreas estratégicas”, disse.

Um dos exemplos trazidos por Valdirene é do Conexão Negra. “É uma atividade que nos desempenhamos, nós do MPT, viajando Brasil afora, para capacitação de jovens universitários, com a participação da iniciativa privada, na construção de uma rede de empregabilidade”, detalhou.

Além dessa, o MPT tem outras iniciativas, mas que focam em diferentes áreas de atuação, como representatividade negra na mídia e redes sociais voltadas ao protagonismo de pessoas negras.

Valdirene também aproveitou para ressaltar a importância do diálogo entre diversos setores, público e privados, na construção de respostas assertivas ao racismo estrutural. “É um trabalho que não se faz sem muitas mãos, sem tantos e importantes parceiros”, concluiu.

Além do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e ministro Dias Toffoli, o evento contou com a participação do Procurador-Geral do Trabalho, Alberto Bastos Balazeiro; da responsável pela coordenação geral do Afro Presença, a procuradora do MPT (Ministério Público do Trabalho) de São Paulo Valdirene Silva de Assis; de Elias Rodrigues, secretária-executiva adjunta da Coordenação de Promoção da Igualdade Racial – Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania; e de Rodolfo Sirol, presidente Conselho da Rede Brasil do Pacto Global e Valter Farid Antônio Junior, secretário-executivo da Justiça e Cidadania.

 

R7

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