sexta-feira , dezembro 4 2020

Preços dos supermercados voltam a subir após três meses

O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela APAS/FIPE subiu 0,25% em maio, no comparativo com abril. Este leve aumento no índice não impediu que a inflação nos supermercados paulistas permanecesse em um patamar negativo, acumulando 0,29% de queda no ano.

“Nos meses de abril e maio, o preço do leite disparou no mercado de atacado, isso porque muitos produtores saíram do segmento após um ano de 2017 apresentando preços baixos de venda, mas com altos custos de produção. Todos esses fatores foram agravados pela greve dos caminhoneiros, que fez o leite subir 4,31% em maio e atingir 14,30% no acumulado de 2018”, avaliou Thiago Berka, economista da APAS.

Outros produtos que também podem ser considerados responsáveis diretos pela inflação do mês de maio são os tubérculos, com a batata e a cebola subindo 33% e 40% respectivamente. Das 27 subcategorias que compõem o IPS, apenas oito apresentaram aumento. Porém, foi o suficiente para fazer o índice apresentar inflação, conforme explica o economista da APAS. “Leite e tubérculos têm um peso importante no orçamento familiar, pois juntos somam mais de 10%. Portanto, esses fortes aumentos acabaram contribuindo para a situação observada em maio”, disse.

Destaques

O grande destaque do mês foi a greve dos caminhoneiros que parou o Brasil e provocou uma corrida da população aos supermercados, que ficaram com menos opções de alguns nas gôndolas. Era esperado que esse efeito da paralização já fosse sentido nos preços em maio, porém, como a greve pegou somente os últimos oito dias do mês, os impactos mais fortes serão sentidos em junho.

“Em junho a expectativa é de mais aumentos no preço do frango e do leite. De acordo com a primeira pesquisa semanal de junho, feita pelo Procon, o valor do quilo do frango subiu 11,98%. O leite segue a mesma tendência, com alta de 8,13%”, comentou Berka.
Vale relembrar que o preço do frango havia apresentando tendência de queda, sendo de 0,35% no mês de maio e 13,94% no acumulado do ano. Esse resultado foi por conta da baixa demanda e dos embargos às aves brasileiras impostos pela Rússia e outros países Europeus. Desde abril, a produção teve um início de redução, impulsionada, além do embargo, pelo preço do milho, componente da alimentação básica das aves. A greve dos caminhoneiros intensificou essa queda de produção, uma vez que muitos pintinhos tiveram que ser abatidos, com a produção ainda por se estabilizar. Segundo a APAS, este cenário pode contribuir para a alta do preço do frango em junho.

Produtos In Natura (Hortifrutigranjeiros)

Subiram 3,90% devido, principalmente à alta da batata e da cebola. Já as verduras subiram 3,06%. “A cebola apresenta os maiores aumentos de preço dentre todos os alimentos no ano. Excesso de chuvas fizeram o preço aumentar mais do que se esperava, mesmo para um período de entressafra (janeiro a junho). Além disso, o dólar mais alto ajudou a piorar ainda mais a situação devido às importações da Argentina”, avaliou Berka.

Bebidas

Os preços das bebidas alcoólicas tiveram deflação de 0,20% em maio, com destaque para cerveja, aguardente e vodca. No acumulado do ano, a queda desta categoria chegou a 1,41%. Já as bebidas não-alcoólicas fecharam o mês com redução de 0,31%, puxando a deflação da categoria para 1,06% em 2018.

Limpeza, Higiene e Beleza.

A alta do dólar ainda não afetou os produtos de limpeza, higiene e beleza. Os artigos de limpeza cresceram apenas 0,06% em maio, já os produtos de higiene e beleza ficaram com os preços estáveis. “Para que não ocorressem repasses nos preços, este segmento da indústria e o varejo ainda resistem trabalhando seus estoques”, enfatizou o economista da APAS.

Fonte: Portal New Trade

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