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Home - Destaque - OAB-PI entra na Justiça para combater o golpe do falso advogado

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OAB-PI entra na Justiça para combater o golpe do falso advogado

Redação
Last updated: 25/11/2025 10:11 AM
Redação
Published: 25/11/2025
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golpe do falso advogado para empresas
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A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), ingressou com Ação Civil Pública contra instituições financeiras, plataformas digitais e operadoras de telefonia para enfrentar o chamado “Golpe do Falso Advogado”, modalidade de estelionato eletrônico que utiliza perfis falsos, linhas telefônicas irregulares e contas bancárias para se passar por profissionais da advocacia e aplicar fraudes à população.

Contents
  • Medidas urgentes
  • Como funciona o golpe?
  • Orientações cruciais para não cair no golpe

O golpe deixou de ser uma prática isolada e passou a configurar um fenômeno criminoso organizado, sustentado por falhas sistêmicas em diversos setores da economia digital.

As vulnerabilidades envolvem desde a segurança de dados até a ausência de mecanismos eficazes de rastreamento e bloqueio por bancos, operadoras e provedores de aplicativos.

Medidas urgentes

Na ação, a OAB Piauí requer medidas urgentes e estruturais, incluindo bloqueio em cadeia via MED do PIX, derrubada imediata de perfis e contas falsas em plataformas digitais e rastreabilidade efetiva de linhas telefônicas utilizadas para a prática criminosa.

A iniciativa também busca reparação por danos coletivos e imposição de deveres de informação para orientar a sociedade e reduzir o risco de novas fraudes.

Como funciona o golpe?

Uma nova onda de golpes está se espalhando pelo Brasil, vitimando milhares de pessoas que têm processos na Justiça. É o golpe do falso advogado: criminosos se passam por advogados para prometer a liberação de benefícios ou indenizações e, com isso, pedir pagamentos adiantados. O prejuízo nos últimos três anos já chega a R$ 2,8 bilhões.

O que era um simples estelionato se tornou mais ousado. As quadrilhas usam credenciais de advogados para acessar os sistemas online da Justiça. Segundo Ana Tereza Basílio, presidente da OAB-RJ, 99,9% dos processos judiciais são eletrônicos. Nesses sistemas, dados das partes envolvidas, como telefones e e-mails, ficam expostos em processos que não correm em segredo de justiça. Com essas informações, os criminosos miram nos valores que a vítima está prestes a receber.

O funcionário público Gilberto Alves, de Brasília, foi uma das vítimas. Ele recebeu uma mensagem no WhatsApp com a foto do seu advogado verdadeiro. “A mensagem que eu recebi no telefone é que a gente tinha ganho a causa na justiça”, conta.

O golpista pedia uma taxa de quase R$ 2 mil para a liberação do dinheiro. “Só que ele sempre frisava no pagamento que tinha que ser realizado naquele dia”. Gilberto pagou o boleto e só depois percebeu o golpe. “Era a foto, só que o número era diferente”, lamentou.

No Rio Grande do Sul, o repórter Giovani Grizotti encontrou uma vítima que perdeu R$ 255 mil. A aposentada, que vive com um salário mínimo , esperava receber cerca de R$ 7 mil da pensão por morte do marido. Ela recebeu uma mensagem que dizia ser do escritório de sua advogada e conversou com uma suposta advogada, “Doutora Leandra”, e um comparsa. Eles exigiram depósitos para liberar o dinheiro. “Acho que eu fiz mais ou menos uns nove depósitos”. O valor perdido era toda a sua reserva.

Os advogados também são vítimas. A verdadeira Leandra Wichmann, advogada da aposentada, contou que os golpistas tiraram “prints” da procuração de dentro do processo na Justiça Federal e criaram um comprovante falso em seu nome.

Orientações cruciais para não cair no golpe

Para combater a fraude, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anunciou uma nova medida de segurança. A partir de novembro, o acesso às plataformas digitais da Justiça exigirá uma “camada extra de proteção”, similar à autenticação usada por bancos. “A gente sai do acesso apenas login e senha e entra pra um acesso utilizando o autenticador no seu aparelho telefônico” , explicou João Paulo Schoucair, conselheiro do CNJ. Ele afirma que o sistema “é seguro”.

Advogados e especialistas  dão orientações cruciais para não cair no golpe. A principal dica é: desconfie de qualquer contato por mensagem ou ligação. “A orientação sempre é: ligue para o seu advogado. Recebeu alguma ligação, alguma mensagem, ligue para o seu advogado” , reforça Leandra Wichmann. Outro ponto é a urgência. “É sempre uma urgência — ‘Ah, precisa transferir agora’. Não, o processo judicial demora meses, anos” , lembra o advogado Eduardo Gasiglia.

A forma de pagamento é o principal alerta. O Poder Judiciário não utiliza PIX ou boletos bancários para liberar valores. “O pagamento do processo judicial, ele é depositado em juízo e após o depósito em juízo, é gerado o alvará de pagamento” , explica Gasiglia. A vítima só recebe o dinheiro por meio desse alvará. A recomendação final é nunca clicar em links nem fazer pagamentos sem antes confirmar diretamente com o advogado, de preferência por um número que o cliente já tenha salvo.

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