A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), ingressou com Ação Civil Pública contra instituições financeiras, plataformas digitais e operadoras de telefonia para enfrentar o chamado “Golpe do Falso Advogado”, modalidade de estelionato eletrônico que utiliza perfis falsos, linhas telefônicas irregulares e contas bancárias para se passar por profissionais da advocacia e aplicar fraudes à população.
O golpe deixou de ser uma prática isolada e passou a configurar um fenômeno criminoso organizado, sustentado por falhas sistêmicas em diversos setores da economia digital.
As vulnerabilidades envolvem desde a segurança de dados até a ausência de mecanismos eficazes de rastreamento e bloqueio por bancos, operadoras e provedores de aplicativos.
Medidas urgentes
Na ação, a OAB Piauí requer medidas urgentes e estruturais, incluindo bloqueio em cadeia via MED do PIX, derrubada imediata de perfis e contas falsas em plataformas digitais e rastreabilidade efetiva de linhas telefônicas utilizadas para a prática criminosa.
A iniciativa também busca reparação por danos coletivos e imposição de deveres de informação para orientar a sociedade e reduzir o risco de novas fraudes.
Como funciona o golpe?
Uma nova onda de golpes está se espalhando pelo Brasil, vitimando milhares de pessoas que têm processos na Justiça. É o golpe do falso advogado: criminosos se passam por advogados para prometer a liberação de benefícios ou indenizações e, com isso, pedir pagamentos adiantados. O prejuízo nos últimos três anos já chega a R$ 2,8 bilhões.
O que era um simples estelionato se tornou mais ousado. As quadrilhas usam credenciais de advogados para acessar os sistemas online da Justiça. Segundo Ana Tereza Basílio, presidente da OAB-RJ, 99,9% dos processos judiciais são eletrônicos. Nesses sistemas, dados das partes envolvidas, como telefones e e-mails, ficam expostos em processos que não correm em segredo de justiça. Com essas informações, os criminosos miram nos valores que a vítima está prestes a receber.
O golpista pedia uma taxa de quase R$ 2 mil para a liberação do dinheiro. “Só que ele sempre frisava no pagamento que tinha que ser realizado naquele dia”. Gilberto pagou o boleto e só depois percebeu o golpe. “Era a foto, só que o número era diferente”, lamentou.
No Rio Grande do Sul, o repórter Giovani Grizotti encontrou uma vítima que perdeu R$ 255 mil. A aposentada, que vive com um salário mínimo , esperava receber cerca de R$ 7 mil da pensão por morte do marido. Ela recebeu uma mensagem que dizia ser do escritório de sua advogada e conversou com uma suposta advogada, “Doutora Leandra”, e um comparsa. Eles exigiram depósitos para liberar o dinheiro. “Acho que eu fiz mais ou menos uns nove depósitos”. O valor perdido era toda a sua reserva.
Os advogados também são vítimas. A verdadeira Leandra Wichmann, advogada da aposentada, contou que os golpistas tiraram “prints” da procuração de dentro do processo na Justiça Federal e criaram um comprovante falso em seu nome.
