quinta-feira , dezembro 3 2020

Ideb: Brasil atinge outra vez meta nas séries iniciais do ensino fundamental, mas ainda falha nos anos finais

No ensino médio, o desempenho também foi ruim e a avaliação ficou longe da meta.

Ideb 2019, índice que avalia o desenvolvimento da educação básica brasileira, divulgado nesta terça-feira (15), indica que a aprendizagem e a aprovação dos estudantes ainda têm menor desempenho conforme o aluno avança no sistema de ensino.

Em 2019, o Brasil bateu a meta para os primeiros anos de aprendizagem (até o 5ª ano) pela sétima vez seguida, desde que o índice foi criado em 2005, com edição a cada dois anos. ️

Mas não atingiu o mínimo proposto para a avaliação dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) pela quarta vez consecutiva.

No ensino médio, a avaliação ficou longe da meta.

Ideb é sigla para Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação (MEC).

Ele avalia a evolução da aprendizagem no país, com base no desempenho dos alunos em português e matemática. O objetivo é levar o Brasil a atingir a mesma média de conteúdo de alunos de países desenvolvidos (OCDE). Em uma escala de zero a 10, a meta é chegar a 6 na média geral, tanto em escolas públicas quanto particulares.

Mas há prazos diferentes para cada etapa. Devemos chegar em 6 até 2021 para os anos iniciais do ensino fundamental (estamos em 5,9); até 2025 para os anos finais (chegamos a 4,9); e até 2028 para o ensino médio (estamos em 4,2).

A cada dois anos, o MEC estabelece metas intermediárias para se atingir o objetivo final no prazo.

Rede pública e particular

  • Anos iniciais (1º ao 5º ano)

Os dados do Inep apontam que, nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), a rede privada não atingiu a meta proposta para 2019. As escolas particulares representam 19,2% das matrículas nesta etapa de ensino. Mas, ao observar os dados dos estados, é possível observar que em 15 deles as redes particulares tiveram um Ideb igual ou superior a 7. Outros 8 atingiram a meta.

Na rede estadual, que tem 16% das matrículas, o Brasil superou a meta geral, com avaliação de 6,1 e meta de 5,9.

Na rede municipal61,9% atingiu a meta nos anos iniciais. O Ideb indica que o Brasil tem 13.248 escolas com Ideb igual ou superior a 6. No estado de São Paulo, 77,9% das escolas municipais estão com avaliação igual ou acima de 6, o melhor índice do País, seguido por Paraná (73,5%) e Santa Catarina (71,2%)

  • Anos finais (6º ao 9º ano)

Na rede pública para os anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o Brasil não atingiu a meta de 5 para este ano, chegando à avaliação de 4,6. Somente 23,1% dos municípios atingiram a avaliação proposta. Em 23 estados, menos da metade das cidades tiveram boa avaliação nesta etapa de ensino.

No entanto, o relatório do Ideb ressalva que as redes têm melhorado o desempenho ao longo do tempo, o que equivale ao aumento de 1,4 ponto desde 2005. Na avaliação de 2019, 631 cidades tiveram Ideb igual ou maior que 5,5; e 373 tiveram Ideb até 3,4, o que é considerado baixo.

Observando apenas a rede estadual, que tem 49,2% das matrículas neste ciclo, 22,8% atingiram a meta proposta. Na rede municipal, o índice é de 29%.

“Nós devemos olhar pra onde estamos falhando. E ficou muito claro que é no fundamental 2”, afirma a presidente do Conselho Nacional dos Secretários da Educação (Consed), Cecilia Motta.

Na rede privadaas escolas particulares não bateram a meta de 7,1 para 2019, ficando em 6,4. Esta rede concentra 15,4% das matrículas nos anos finais do ensino fundamental.

Avaliação do ensino fundamental, por estados

Na edição de 2019, 24 estados conseguiram atingir (3) ou superar (21) a meta proposta para os primeiros anos do ensino fundamental. Mas apenas 7 conseguem atingir ou superar a meta na faixa do 6º ao 9º ano do mesmo ciclo.

  • Anos iniciais (1 ao 5º ano)

Entre as crianças mais novas, dois estados e o DF não atingiram a meta proposta para 2019.

Ideb 2019, por estado, primeira etapa do ensino fundamental (1º ao 5º ano) — Foto: Infeografia/G1

  • Abaixo da meta: AP, DF, RJ
  • Atingiu a meta: ES, MG, RO
  • Acima da meta: AC, AL, AM, BA, CE, GO, MA, MS, MT, PA, PB, PR, PE, PI, RN, RS, RR, SC, SE, SP, TO

Amapá e Rio de Janeiro seguem com índices inferiores ao estabelecido. Na edição anterior, de 2017, eles também não haviam batido a meta. Em 2019, DF se manteve abaixo da meta, como na edição anterior.

De acordo com os dados do Inep, Alagoas e Ceará tiveram os maiores avanços em todas as edições do Ideb. Já Amapá, Pará, e Santa Catarina evoluíram pouco ao longo do período.

  • Anos finais (6º ao 9º ano)

O Brasil não atingiu a meta para os anos finais do ensino fundamental pela quarta vez seguida. São 19 estados e o DF com avaliação abaixo da meta. GO e PR se destacam, atingindo a meta. AL, AM, CE, PE e PI tiveram boas avaliações em seus sistemas de ensino.

  • Acima da meta: AL, AM, CE, PE, PI
  • Atingiu a meta: GO, PR
  • Abaixo da meta: AC, AP, BA, DF, ES, MA, MS, MT, MG, PA, PB, RN, RS, RJ, RO, RR, SC, SE, SP, TO

 

Segundo o Inep, houve queda do Ideb nos anos finais do ensino fundamental nos estados de Santa Catarina e Mato Grosso.

‘Planejamento foi fundamental’, diz Míriam Leitão

Para a comentarista da TV Globo, Míriam Leitão, os dados do Ideb trazem uma boa perspectiva de evolução em relação à edição anterior. Ela destaca as ações no Piauí e Ceará, com índices bastante acima da meta.

G1

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