Autismo pede por mais políticas públicas e engajamento da sociedade

Anairan Soares Lima é mãe, palestrante e ativista da causa autista. Essa é a personagem central que o Portal Revista Direito Hoje escolheu para falar de um tema preocupante e sempre atual: o autismo. Entre perguntas e repostas, ficou claro a necessidade de mais políticas públicas e apoio para autistas e profissionais inseridos nesse sistema. No fim das contas, tudo gira em torno da palavra respeito pelo diferente. Confira:

Direito Hoje-  O dia 02 de abril foi o dia Mundial do Autismo. O que se pode comemorar?

Anairan Soares- No dia 2 de abril é quando o mundo volta os olhos para o espectro autista, conceito que está incluído na neurodiversidade. Nessa data temos mais a pedir do que comemorar. Pedir por implementação de políticas públicas, por mais informação para a sociedade e sobre tudo pedir por respeito ao diferente, até porque vivemos em um país que tem como princípio basilar a dignidade da pessoa humana.

DH – A integração social está acontecendo como deveria?

AS- Uma das principais dificuldades da pessoa autista é a questão social, cabendo assim à sociedade em que essa pessoa está inserida fomentar e potencializar essa integração, por meio de esporte, laser, educação e saúde, respeitando o tempo e as limitações de cada autista, já que o espectro é amplo. O autista severo, moderado e que está na fase adulta, encontra uma dificuldade maior nessa integração, pois como não tem convite para nada, acaba por ficar direto em casa, sofrendo ele e consequentemente a família essa “morte social”.

Vale ressaltar que as potencialidades devem ser exaltadas e entender que todo tipo de iniciativa para introduzir a pessoa que está dentro do espectro no corpo social é válida, já que ainda é bem pequena a participação do autistas principalmente no mercado de trabalho, aspecto esse que tem suma importância para integração da pessoa na sociedade.

DH- Profissionais estão capacitados para atender a esse público?

AS- Os profissionais de saúde estão hoje mais aptos a trabalharem com os autistas, entretanto a demanda vem aumentando. Como existe a necessidade de uma intervenção multidisciplinar os custos são altos e aqueles que buscam o sistema público de saúde sofrem com a demorar no atendimento, e no caso do autismo, essa demora nas intervenções terapêuticas repercutem de forma negativa na superação de limitações que o espectro impõe. Isso se dar pois a rede pública não consegue abarcar toda a comunidade autista, sendo necessário portanto um “cuidado” mais expressivo do Estado brasileiro para com cerca de 2 milhões de autistas.

DH- Há escolas suficientes? Como tornar a educação melhor?

AS- A questão escolar é algo que ainda está a passos lentos, é um tema bem delicado. A Lei 12.764/12 (Lei Berenice Piana), trouxe inúmeras conquistas para comunidade autista, entretanto as escolas regulares ainda não possuem em sua totalidade profissionais aptos e desenvoltos no manejo com os autistas. Essa situação geram um desconforto, já que a lei impõem regras como um dever em relação aos autistas, entretanto na realidade a eficácia da lei é acanhada.

DH- Qual a realidade da AMA (Associação de Amigos dos Autistas do Piauí) atualmente?

AS- A AMA-PI tem um trabalho muito bonito em relação a comunidade autista e familiares, a pessoa da Fátima Orsano Castelo Branco, Ângela Bernardini e demais colaboradores levam a sério o introduzir o autista no corpo social, entretanto os recursos são poucos, a demanda é grande, bem como a lista de espera.

DH- As políticas públicas estão sendo eficientes? O que precisa melhorar?

AS- As políticas públicas ainda são tímidas, entretanto as famílias e profissionais, seja da saúde seja da educação vem cobrando do poder estatal mais metas e ações governamentais para sanar problemas específicos que impedem as pessoas dentro do espectro autista de ter uma vida digna e plena.

DH- O tema é mais comentado no mês de abril… Incomoda pouca notoriedade ao longo do ano por parte da sociedade civil?

AS- É notório que o termo “autismo” ganha mais atenção do sistema midiático no mês de abril por o dia 2 ser o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, entretanto entendo que o tema deve ser discutido ao decorrer do ano uma vez que ainda há um desconhecimento muito grande no que diz respeito a todos os aspectos que compõe o espectro.

DH- Quais as perspectivas para o futuro..

AS- Espero que nenhuma minoria necessite de um dia para ser lembrado, que os autistas sejam introduzidos de forma plena e que seja respeitos não por terem um dia especifico, mas pelo simples fato de ser seres humanos e possuírem dignidade, como diz João Lima, meu filho,” o autismo é um pedacinho de mim”.

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