Após 3 meses de quarentena, 700 mil alunos continuam sem alternativa à merenda em SP

Dois terços dos estudantes da rede municipal de São Paulo permanecem sem alternativa alimentar à merenda escolar em meio a uma quarentena que já se estende por três meses.

A rede municipal possui cerca de um milhão de alunos. Até agora, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, apenas 353 mil receberam um cartão alimentação para suprir a falta de merenda. O benefício é de R$ 55 para estudantes do Ensino Fundamental, R$ 63 para alunos da pré-escola e R$ 101 para crianças matriculadas em creches.

Em abril, a prefeitura decidiu conceder o benefício apenas para estudantes de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família. Ao todo, 273 mil alunos receberam o cartão. Em maio, o benefício foi estendido a mais 80 mil alunos, totalizando os 353 mil cartões.

Para Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP, sem a distribuição dos cartões, a a situação de fome vai se agravar ainda mais.

“É urgente que o poder público assuma a sua responsabilidade e eu acho que o primeiro passo é levar pra todas as crianças o que é delas de direito. Os recursos do programa nacional de alimentação escolar precisa chegar até as crianças. Nós não temos na escola nenhuma criança estudando e os recursos do programa é de direito do programa é de direito delas.”

Um grupo de diretoras de escolas decidiu se mobilizar para pressionar a prefeitura a estender o benefício para todos os estudantes. O argumento é que muitos pais tinham empregos informais e perderam a renda com a pandemia. Mesmo que não estejam no Bolsa Família, passaram a viver em uma situação de extrema vulnerabilidade.

A prefeitura, então, decidiu incluir também, a partir de junho, as famílias que estão no CadUnico. Promessa é que o cartão chegue a 600 mil alunos.

Apesar de pedirem que o cartão seja entregue a todos os alunos, as diretoras afirmam que o benefício é insuficiente para que os estudantes compram os mesmos alimentos oferecidos na merenda. Isso porque a administração compra produtos em grandes quantidades, direto do fornecedor, pagando um preço bem mais baixo do que o praticado nos supemercados.

A solução, para as diretoras, é a distribuição de kits montados com os alimentos comprados pelas escolas.

O governo federal sancionou uma lei em abril que garante a distribuição dos alimentos da merenda e obriga a União a fazer os repasses do Plano Nacional de Alimentação Escolar.

G1

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