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A importância dos relacionamentos sociais para o crescimento profissional do advogado

Advocacia é relacionamento, a obviedade dessa afirmação nem sempre é observada por aqueles que ingressam no mercado de trabalho como advogado, a razão disto pode ser em virtude do desconhecimento ou ignorância do poder da empatia e da comunicação para a construção de bons relacionamentos, os quais serão frutos promissores de uma advocacia exitosa.

Segundo o pai da psicanálise, o psiquiatra Sigmund Freud, o homem é em sua essência um ser relacional, ou seja, o sentido da própria existência humana associa-se à existência do outro, criando-se a partir desta dinâmica
as relações sociais. Seguindo esta linha de raciocínio, o advogado deve se utilizar desta complexa habilidade de se relacionar bem, a fim de prospectar e fidelizar seus clientes, gerenciando conflitos e apresentando
soluções.

Há algumas décadas, um notável advogado era aquele que detinha elevado conhecimento técnico-acadêmico, além de uma boa oratória. Hodiernamente, além do domínio destes elementos, um grande profissional
da advocacia precisa lançar mão de outras competências e habilidades, em especial as decorrentes do uso da inteligência social, mais conhecida como inteligência emocional.

De acordo com o psicólogo Daniel Goleman, a inteligência emocional é a capacidade de reconhecer e avaliar seus próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles; ou seja, é o mecanismo
cognitivo que torna o individuo apto a superar com habilidade os desafios e conflitos do cotidiano; e particularmente, conflito é o objeto de trabalho do advogado.

Como é sabido, o exercício da advocacia é uma prática extremamente estressante por conta da exigência na resolutividade das situações apresentadas, no cumprimento dos prazos, no atendimento com excelência,
no constante aperfeiçoamento profissional, além da gestão da vida pessoal e familiar, enfim. Nesse contexto, o desenvolvimento do autoconhecimento, da autorregulação, da empatia e de habilidades sociais promovem um
alinhamento do crescimento técnico-profissional e familiar, sem os quais a vida torna-se um fardo pesado e imprevisível.

Assim é possível reconhecer a imprescindibilidade destes conhecimentos como importante ferramenta na formação acadêmico-profissional do advogado, pois negligenciá-los implica numa advocacia inócua e obsoleta, haja vista a extrema relevância dos mesmos na militância jurídica. A valorização dos relacionamentos como ferramenta modeladora de uma advocacia bem sucedida merece ser cada vez mais estimulada no processo
de formação do advogado; pois parafraseando as palavras do velho guerreiro: “Quem não se comunica, se trumbica”.

A propósito, é importante ressaltar que o advogado não lida apenas com papeis e computadores, na maioria das vezes ele trata diretamente com pessoas das mais distintas matizes sociais, dentre clientes e serventuários
da justiça, o que por si só já exige de si mesmo uma ampla capacidade relacional. Neste sentido, ressalta-se a importância dada ao relacionamento advogado-cliente, no qual é necessário que este se sinta acolhido e receba a
atenção que lhe é devida.

Se por um lado, advogados reclamam da falta de respeito e urbanidade de alguns clientes, por outro lado têm-se advogados que veem no cliente apenas uma cifra a mais em sua conta bancaria, desprezando o impacto
positivo que um bom relacionamento proporciona. Cabe ainda ressaltar que não se defende aqui a ausência de qualquer limitação nos relacionamentos, a fim de se “conquistar” o cliente a qualquer custo, atropelando princípios e valores, pelo contrário invoca-se a construção de relações significativas e respeitosas.

Outro aspecto que merece semelhante atenção é o avanço tecnológico da advocacia, com o uso de robôs e automação dos serviços jurídicos, os quais estão cada vez mais complexos. O fato é que não há qualquer ressalva ao
uso destas tecnologias na prestação do serviço, devendo o uso das mesmas ser estimulado em prol da eficiência.
Contudo, o que não se pode descuidar é a importância do caráter humano nas relações, mesmo naquelas prestadas com o uso da tecnologia, pois é certo que nada substitui a proximidade e segurança que uma conversa olho
no olho e o aperto de mão de forma acolhedora e empática garantem.

Afinal, a comunicação inteligente, essência do relacionamento interpessoal deve ser propiciadora de uma conexão significativa entre as pessoas, neste caso, entre advogado e cliente, pois advocacia é puro relacionamento.

Advogada Adriana de Carvalho Oliveira

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