Em 2026, 77% dos profissionais do Direito afirmaram usar IA com frequência no trabalho, ante 55% no ano anterior, segundo levantamento divulgado pela OAB-SP. Isso aponta que o uso de inteligência artificial já entrou na rotina do mercado jurídico. Com a adoção mais disseminada, a discussão começa a sair do campo da experimentação e chegar à operação dos escritórios.
Pesquisa jurídica, elaboração e revisão de documentos, organização de informações e acesso a acervos internos estão entre as atividades que começam a mudar. Para Andrés Arellano, CEO e cofundador da Magnar, empresa latino-americana de inteligência artificial para o trabalho jurídico, o principal efeito neste momento é uma redistribuição do tempo e da atenção das equipes.
“Há tarefas que antes exigiam horas de busca, organização e leitura e que hoje podem começar de outra forma. Isso muda onde o advogado coloca energia: menos tempo chegando à informação e mais tempo entendendo o que ela significa para aquele caso”, afirma Arellano.
Dados recentes da Thomson Reuters reforçam esse movimento. Entre profissionais jurídicos que utilizam IA generativa, pesquisa jurídica, revisão e resumo de documentos aparecem entre os usos mais frequentes. Outro estudo da organização estima que a tecnologia pode liberar quase 240 horas de trabalho por profissional jurídico ao ano. “Esse ganho de tempo só faz diferença de verdade quando ele volta para atividades que exigem mais julgamento, contexto e relação com o cliente. A tecnologia pode assumir parte do trabalho operacional, mas o valor para o escritório está em usar esse tempo para aprofundar análises e melhorar a qualidade das decisões”, diz Arellano.
Na pesquisa jurídica, por exemplo, a IA pode ajudar a estruturar buscas e organizar volumes maiores de informação, deslocando parte do esforço da localização de referências para a análise de relevância e confiabilidade. O mesmo acontece na elaboração e revisão de documentos: petições, contratos, memorandos e pareceres podem partir de uma primeira estrutura apoiada por IA, enquanto grandes conjuntos de documentos ganham uma leitura e classificação iniciais mais rápidas.
Embora esses usos se repitam em diferentes mercados, a aplicação da IA no Direito continua ligada às particularidades de cada país, como legislação, jurisprudência, idioma e fontes jurídicas. “Há muitas semelhanças na forma como os advogados trabalham na América Latina, mas o Direito continua sendo local. A tecnologia pode apoiar pesquisa, revisão e produção de documentos em diferentes países, desde que consiga trabalhar com as fontes e as particularidades de cada jurisdição”, afirma Arellano.
Sobre a Magnar
A Magnar é uma empresa latino-americana de inteligência artificial para o trabalho jurídico. Fundada em 2025, a empresa desenvolve uma plataforma para pesquisa, análise, elaboração e revisão de documentos, com fontes normativas e jurisprudenciais locais, referências rastreáveis e integração a ferramentas utilizadas no cotidiano dos advogados.
A Magnar atende cerca de 30 mil usuários e 300 escritórios de advocacia na América Latina – além do Brasil, atua em Chile, Peru, Equador, Costa Rica, Colômbia, Uruguai, Argentina e México. Sua tecnologia foi desenvolvida para apoiar o trabalho de advogados e equipes jurídicas, automatizando tarefas operacionais e mantendo análise, supervisão e responsabilidade sob o controle dos profissionais.


