13 de março, Dia Nacional de Luta contra a Endometriose

Endometriose é uma afecção (uma modificação no funcionamento normal do organismo) inflamatória provocada por células do endométrio que, em vez de serem expelidas, migram no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar. Endometriose profunda é a forma mais grave da doença.

Uma das hipóteses para o surgimento do problema é que parte do sangue reflua através das tubas uterinas durante a menstruação e se deposite em outros órgãos. Outra hipótese é que a causa seja genética e esteja relacionada com possíveis deficiências do sistema imunológico.

A endometriose ganha destaque com os seguintes sintomas: cólica menstrual que, com a evolução aumenta de intensidade e pode incapacitar as mulheres de exercerem suas atividades habituais; dor durante as relações sexuais; dores e sangramentos intestinais e urinários durante a menstruação.

“Diante da suspeita o exame ginecológico clínico é o primeiro passo para o diagnóstico, que pode ser confirmado pelos seguintes exames laboratoriais e de imagem: visualização das lesões por laparoscopia, ultrassom endovaginal, ressonância magnética e um exame de sangue chamado marcador tumoral CA-125, que se altera nos casos mais avançados da doença. O diagnóstico de certeza, porém, depende de uma biópsia”, destaca a ginecologista e especialista em endometriose Joeline Cerqueira.

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou em 2019 o Projeto de Lei 3047/19, da deputada Daniela do Waguinho (MDB-RJ), que institui o dia 13 de março como Dia Nacional de Luta contra a Endometriose. Na semana em que cair este dia, também será realizada a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose.  O período serve para levar informação à sociedade sobre o que é a doença e sobre como ela pode ser descoberta e controlada.

Endometriose x Infertilidade
Ela é a principal causa de infertilidade feminina. Quando o endométrio começa a crescer em locais como tubas e ovário, há inflamação e um processo espontâneo de cicatrização, o que acaba gerando mudanças anatômicas que impedem o pleno funcionamento das tubas, responsáveis pelos primeiros acontecimentos da fecundação. Além disso, as células inflamatórias podem afetar a qualidade do óvulo e do espermatozoide.

As opções de tratamento incluem: medicamentos para controlar a dor e minimizar a progressão da doença; cirurgia para retirar as áreas afetadas pela endometriose; cirurgia radical – histerectomia com retirada dos dois ovários. O tratamento depende dos seguintes fatores: idade, gravidade dos sintomas e da doença, se a mulher deseja ou não ter filhos.

O tratamento pode envolver a interrupção do ciclo menstrual e a criação de um estado similar à gravidez. Isso é chamado de pseudo-gravidez e pode ajudar a impedir que a doença piore. Para isso, são usadas pílulas anticoncepcionais com estrogênio e progesterona de modo contínuo, ou seja, sem pausas para menstruar. Também podem ser usados progestagênios isolados, na forma de pílulas, injetável ou mesmo DIU.

Ainda segundo a ginecologista Joeline Cerqueira, os efeitos colaterais podem incluir a presença de escapes indesejados de sangue, ganho de peso, sensibilidade nos seios, náusea e outros efeitos colaterais hormonais. “Esse tipo de terapia alivia a maioria dos sintomas da endometriose, mas não elimina os focos ou as aderências causadas pela doença. Mulheres que estão querendo engravidar não devem usar essas medicações, pois elas impedem a gestação e não aumentam as chances após a interrupção do uso”, reforça a especialista.

Ascom

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