Justiça nega prisão de entregador acusado de matar porteiro no Rio

Família de vítima relata sentimento de “consternação” com decisão e espera que agressor seja levado à júri popular

O TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) negou o pedido de prisão contra o entregador acusado pela morte do porteiro Jorge José Ferreira, no dia 29 de março, em um prédio da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

O juiz Carlos Gustavo Vianna, da 1ª Vara Criminal do Rio, aceitou a denúncia do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por homicídio qualificado, mas considerou o pedido de prisão preventiva “prematuro”.

Na decisão, ele afirmou que o decreto de prisão deve ser motivado por receio de perigo ou fundamentado pela existência de novos fatos concretos que justifiquem a medida. Por outro lado, o juiz determinou medidas cautelares, entre elas estão o comparecimento trimestral em juízo e proibição de manter contato com testemunhas.

O magistrado destacou ainda que o réu é primário e possui emprego lícito, além de ter sido absolvido por um crime de lesão corporal pelo qual foi denunciado em 2016.

Por meio de nota, a família do porteiro Jorge declarou que o “sentimento é de consternação” frente à decisão da Justiça e que recebeu a notícia com “surpresa”.

Os parentes declararam que estão de luto pela morte de Jorge, enquanto o acusado segue em liberdade. A família espera que o entregador seja levado à júri popular.

Relembre o caso

No dia 29 de março, um motoboy de 31 anos, foi abordado por Jorge, de 58, após realizar uma entrega no edifício da Barra da Tijuca. O porteiro pediu ao entregador que saísse do prédio pela entrada de serviço, ao invés da social, o que levou os dois a iniciarem uma discussão.

Na ocasião, o motoboy divulgou um vídeo dizendo que havia sido agredido pelos funcionários do condomínio. Nas imagens, era possível ver o entregador sendo imobilizado. Ele chegou a convocar uma manifestação de entregadores na frente do prédio.

No entanto, as imagens das câmeras de segurança desmentiram a versão do motoboy, mostrando que ele foi o primeiro a desferir chutes contra o porteiro na discussão. Jorge pegou, então, uma barra de ferro e acertou o entregador na perna, mas foi desarmado por ele, que o golpeou diversas vezes na cabeça.

O porteiro foi levado para o hospital Miguel Couto, na zona sul do Rio e, depois de entrar em coma, não resistiu aos ferimentos, falecendo no último dia 3. O porteiro trabalhava no prédio da Barra da Tijuca há 15 anos. O laudo da perícia aponta como causa da morte “traumatismo de crânio com hemorragia das meninges; ação contundente”.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

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